Quando me lembro do que eu fazia há exatamente 8 anos atrás eu me assusto. Noites varando a internet, bisbilhotando em coisas que não devia em computadores que não me pertenciam... Vi coisas que gostaria de não ter visto, e passei por sufocos que não precisava ter passado... Realmente, a adrenalina, a emoção de "perder uma box" ou de "conseguir rootar um SO diferente" compensaram. Saudades dos Solaris, IRIX, HP-UX e SCO's que "conheci"... coisas inacessíveis para um reles adolescente mortal, brasileiro, não-universitário, na época.
Refletindo sobre o que ficou dessa "bagagem", creio que muita coisa. Não diretamente, em relação ao conhecimento técnico. Isso muda mais rápido às vezes do que profissionais da área podem acompanhar; quanto a isso é um fato que estou defasado, embora como "amateur" ainda me mantenha relativamente atualizado (nada que um apt-get update não resolva ;]). Creio que o medo da "tela preta", comum entre os usuários resistentes ao Linux, nunca pertenceu à minha realidade.. Creio que quando conto a história da 1a vez que instalei Linux no meu falecido 486 DX4 100MHz, muitas pessoas riem do óbvio ridículo, embora para mim na época estava longe disso.
Brevemente resumindo: Guilherme, em 1997, na FENINFO aqui em POA, perdido, tinha ouvido falar de Linux algumas vezes pelo IRC, frequentava o canal #hackers e o #linux, embora não usasse Linux. Interessado, procurou por toda feira de informática alguma pessoa, empresa, computador relacionado ao SO. Não achando, perdendo as esperanças, indo embora, olha para o lado: um estande de revista! Chegando mais perto, olhando as edições antigas... Red Hat 4.2! No CD!!! Comprando pela fortuna de 5 reais a revista, e após um xalalá muito forte na vendedora que queria que eu assinasse aquela revista de Portugal (que era uma merda, diga-se de passagem), dizendo que era meu aniversário na semana seguinte, creio que rolou uma lágrima de piedade e o pivete saiu de lá com a revista nas mãos e mais faceiro que pinto em lata de lixo. Chegando em casa, chutei o balde.. Instalei o Linux, e acabei naquela tela famosa... "login:_" E agora? login??? Não lembro de ter informado login algum... Reinstalei o Linux! Achei que tinha feito algo errado.. aí cheguei novamente à tela de login... Lembrando alguma coisa do que estava escrito em algum momento da instalação, tentei algumas palavras de login, e entrei com a senha que misteriosamente em algum momento tive de digitar na hora da instalação. Ok, daemon, bin, sudo, apache, http, user, admin, default... Tudo. Tentei tudo. NADA. Aí do nada, vem aquele "plim!" famoso por nos destacar o óbvio: root. Ok, root, senha, entrou. "root@localhost:~#", there's no place like ~! (~ = home). Agora, na tentativa e erro fui aprendendo comandos. Dir, cd, ls, rm, find... Creio que só após uns 6 meses fui maestrar os comandos básicos do Linux. Até lá, creio que evoluí de forma absurda e vertiginosa, sem comentar a epopéia de fazer funcionar o X, o modem (detalhe: eu tinha um IBM APTIVA, com a famigerada placa MWAVE que não funcionava em NADA, era mais win que qualquer winmodem inventado EVER).

Hoje em dia, o Linux não é uma sombra do que já foi... Instalações gráficas, efeitos tridimensionais nos gerenciadores de janela, coisas de deixar até usuários de MacOS X babando... Claro a evolução não foi apenas do Linux, e sim de toda a comunidade Open Source/Free Software. Creio que esse site aqui elucida bastante do que eu to falando: ferramentas de edição de midia. Usuários de Windows que se gabavam, hoje em dia para eles reserva-se o silêncio. E o medo claro. O medo da tela preta, o qual já não tenho há mais de 10 anos... E creio que para mim, bastaria um terminal de Linux. Lá se faz tudo, tudo... edita-se texto, conecta-se no IRC, navega-se na web e muito mais... Só basta ter saco para aprender, e ter força de vontade. Para alguém que começou sem saber NADA, NADA, NADA, digamos... numa época onde o Linux era mais árido que o Atacama... NADA parece banal. NADA, que deveria ser o IMPOSSÍVEL, transmuta-se no NADA É IMPOSSÍVEL. Queria que cada usuário de computadores quando se deparasse com alguma dificuldade pensasse nisso e tentasse novamente. Quantas vezes cometi erros crassos em minha vida informatóide? Nem por isso deixei por isso... sempre levantei com orgulho e segui em frente. Creio que essa é a única atitude que alguém que se julga "vencedor" pode ter, perante algo tão ridículo e simples como um computador.
Já tive uma desconfiança que fui abençoado com uma certa empatia por máquinas e computadores, mas quanto a isso é outra história... Outra hora eu escrevo aqui :)
Para quem ama seu ipod. Achei no mínimo sarcástico.
Pra fechar: quando é a hora certa? E a segunda pergunta: quando sabemos que realmente é a hora certa? Sinceramente, tenho medo de descobrir isso e já ser tarde demais... Certas coisas o coração manda, e a gente obedece. Agora outras necessitam mais do que isso. E "guts" é uma delas, e no momento estou meio sem, sabe... Got my back broken the last time, right...
E não posso me esquecer de escrever uma hora dessas uma reflexão de "porque me acham arrogante". Ou com cara de. Um poll seria de grande valia hehehe... :)