Sinceramente: isso existe. Parece mentira, mas cada ação nossa cotidiana é responsável por um desarolar de conseqüências imensuráveis.
Fico pasmo, observando alguns acontecimentos recentes em minha vida, o quanto ações pequenas, quase sempre indiretas e não relacionadas culminaram em efeitos devastadores. Outrora, reações díspares às nossas ações imbuem exasperações desnecessárias. E é sempre um efeito dominó.
Como tudo na vida, a multifatoriedade quase que infinita de tais eventos é o que mais torna as reações e conseqüências imprevisíveis. Acredito, e não sou o único, que haja uma matemática precisa por trás de tudo, organizando e ordenando nossas ações/emoções/desejos/convicções/etc. No entanto a complexidade e variabilidade caótica das mesmas, associado a um timing relativo, torna essa matemática incompreensível para a mente humana. Falta de capacidade mental, desenvoltura, intelecto ou percepção? Limitados pela nossa própria constituição e existência, já previstas na própria equação?
Por sua vez, eventos mais específicos parecem gerar resultados mais imediatos. O que irei comer hoje no almoço (... e quem acabamos encontrando no supermercado ou no restaurante (ou a caminho DO), sobre o que falamos, quanto gastamos e assim por diante...) acaba torneando nosso imediato e breve futuro. Mais genericamente nossas filosofias de vida, nosso modo de "ser": inconsequente, planejador, zen, gastador, fiel, etc orientam essa causa-efeito, criando uma tendência em meio ao "caos". Afinal, se sou gastador, não terei dinheiro para comer no restaurante no futuro. Logo, também não poderei ir à festa que combinei com a pessoa que encontrei no restaurante. Enfim, a situação é complexa, mas certamente o leitor entendeu a idéia.
Em uma análise mais intrincada, fiquei sabendo de certos comentários feitos por uma colega em uma situação específica para pessoas de um círculo social próximo à mim, mas indiretamente. O mais intrigante é a negatividade de tais comentários - rancor, raiva, ódio? Acredito que tenha sido em função (reação) de um mal entendido, como sempre de "minha" culpa, uma vez que ousei intervir a favor da mesma (causa?) e esta acabou entendendo da forma errada. É lamentável que ela aja de tal forma. Aí vêm as conseqüências (contra-reação) inevitáveis. Quando for de minha competência exaltar suas qualidades, me manterei em silêncio. Quando for para criticar, não perderei a chance. E isso é parte da natureza humana: autodefesa, e em ultima instância, sobrevivência ("ser").
Fogem de nossas previsões as tais conseqüências. Eventos simples como sair de casa ou ligar para alguém podem ter conseqüências devastadoras. Não temos como adivinhar quando alguém vai nos ligar ou o que o outro ser humano irá fazer ao sair de casa, e isso nos torna passivos ao acaso. Tal acaso nada mais é que o nome para a equação matemática multifatorial e complexa, a qual outrora mencionei. Parece imprevisível e caótico pelo elevado (infinito?) número de eventos a serem considerados, mas para um ser onipresente ("deus"?) é uma equação possível. Ou seja, para prevermos o futuro, ou ao menos entendê-lo, é preciso que tenhamos uma consciência onipresente (que tudo sabe, e tudo vê) em todos os níveis, e após isso um poder analítico suficiente grande para analizar tudo em todas instâncias e pontos de vista (objetivando resultados específicos). Mexer com tais variáveis é algo ainda mais complexo; alguns eventos acredito até não serem possíveis, como a própria matemática já prevê, ao menos em nossa realidade. "Ganhar na loto sem jogar", ou "ir a Vênus a pé". Quem sabe em outras realidades alternativas... No entanto isso já extrapola o intuito dessa reflexão.
O principal, contudo, é que nada foge à regra, e esta é simples: boas ações tendem boas reações. Mantenha o balanço positivo no fim do dia, que sua vida será positiva. As coisas dão certo - por mais atropelos que tenhamos. Não é uma mágica; é matemática. Pensamento positivo, da mesma forma, funciona por condicionamento, já que ao pensarmos que as coisas darão certo, elas acabam dando por nos motivarmos a tentar e nos empenharmos mais em fazer dar certo. Pessoas não podem exigir do "acaso" um balanço positivo se suas ações não forem congruentes.
Eventos de baixa probabilidade fogem à regra. Não compete à equação comparar "unidades" (lembram? não podemos comparar velocidade com massa, apesar de que as duas unidas resulta em energia). Ou seja, a situação de Madre Teresa de Calcutá ganhar na loto tem a mesma probabilidade de qualquer outra pessoa ganhar, por mais positivo que seja o balanço da velhota. No entanto, é mais provável que a mesma receberá auxílio em momento de necessidade do que uma pessoa que não realizou a tamanha benevolência que a mesma exerceu. É o velho ditado de que "uma mão lava a outra", e quantas vezes vivemos isso durante a nossa vida... O mesmo vale para um sorriso ao pedir algo, ou um amigo que se cativa; já que o balanço é positivo, conseguimos as coisas mais facilmente.
Por fim, as tragédias. Estas são eventualmente inevitáveis, fugindo de uma mediana "positiva", e fazem parte da vida. Por mais que a média esteja em um balanço positivo, sempre teremos os extremos. Aprender a lidar com eles é a nossa grande lição. Não existe vida sem a alegria e a tristeza, o bem e o mal, o positivo e o negativo, o preto e o branco - são os extremos criam os parâmetros para avaliar situações, acima de tudo. É a equação em equilíbrio. É a borboleta batendo asas na bolsa de valores de Tóquio enquanto um coloninho do interior de Picada Feijão morre de fome por perder o comprador (japonês falido com a tal quebra da bolsa) de sua produção agrícola. Alterar tal ordem significa estagnar a variação da equação, regredir ao 0 = 0! Acredita-se que tal evento já está previsto matematicamente, a volta do universo ("o tudo") ao início ("big bang"). Até lá, vamos apenas nos preocupar em manter as coisas em seu curso (ou ser mero espectardor como alguns preferem...). O balanço não precisa ser apenas passivo. Pode ser ativo também, no momento em que cada um de nós contribui para mantê-lo positivo através das ações do cotidiano. Muito ainda está para acontecer em nossa percepção de tempo, e deixemos a previsão do futuro para os oniscientes e para os charlatões.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
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